Mike Barber, o homem das distâncias.

Para quem não teve a oportunidade de conhecê-lo, o americano Mike Barber, é uma daquelas pessoas serenas mas completamente obstinadas para alcançar aquilo que desejam. Sua paixão é o vôo livre de longas distâncias, o famoso Cross Country, ou XC.

Mike Barber é o homem que mais longe vôou em uma asa delta. Na região do deserto de Zapata, no Texas, EUA, no ano de 2005, ele percorreu em cerca de 10 horas a distância de 707 km (437 milhas), aferida em linha reta entre o ponto de decolagem e o de pouso.

Apaixonado pelo Brasil e pelas condições de vôo aqui existentes, Mike é um visitante assíduo de nosso país. Brasília, Valadares, Andradas, Rio e muitos outros locais são velhos conhecidos dele.

Mês passado, no Rio, Mike brindou os pilotos cariocas com uma bela palestra na qual repassou um pouco de sua experiência como voador de distânticas, apresentando várias técnicas sobre como voar longe, como resistir ao cansaço, preparação necessária e etc. Um resumo, em forma de tópicos, foi publicado no site do Erick Vils, que nos autorizou a sua divulgação aqui no blog:

1 - A Preparação é fundamental;
2 - O vôo de longa distância é um jogo em que apostamos com a condição;
3 - Às vezes o objetivo diverge do melhor trajeto, deve-se avaliar se o melhor é seguir para o objetivo ou voar na direção da melhor condição;
4 - Encontraremos mais facilidades em sítio de vôo conhecido;
5 - Escolher o dia certo e não voar na véspera ou no dia seguinte. Em cada 3 dias escolher 1 dia para voar;
6 - Procurar trajetos retilíneos com alta pressão atmosférica;
7 - Acreditar no dia em que você escolheu;
8 - Evite ficar baixo em uma situação onde você tenha apenas um gatilho térmico e um pouso como opção. Seria como colocar todas as fichas em uma aposta "all-in-one". Esta estratégia é muito perigosa, porque pode colocar todo o seu vôo a perder;
9 - Vôo-livre de longa distância é algo que se constrói térmica a térmica, quilometro a quilometro e por isso não podemos ser irresponsáveis em botar tudo a perder;
10 - Avaliar o primeiro terço do vôo, se deve continuar ou pousar para se poupar para o próximo dia;
11 - O resgate é muito importante, ele deve ter poder de decisão e ajudar na avaliação. Deve estar munido de GPS e um rádio com uma boa antena;
12 - A comunicação é fundamental em vôos de XC;
13 - Água e barrinhas de cereais com acesso durante o vôo, analgésico preso na barra;
14 - Tomar um anti-inflamatório antes, durante e depois do vôo;
15 - Estudar mapas detalhadamente;
16 - Estudar a quilometragem das estradas e seus pontos de referência;
17 - Avaliar se o melhor é pousar perto da estrada ou voar mais alguns poucos quilômetros;
18 - Um rádio integrado com GPS pode facilitar o resgate;
19 - O XC Ceará apresenta condições parecidas com as condições de deserto;
20 - Usar pelos menos duas operadoras de celular;
21 - Voar é maravilhoso, porém a estrutura que envolve o vôo deve ser lembrada nos mínimos detalhes;
22 - Manter-se com raciocínio racional, evitar alegria em situações oportunas e tristeza em situações desconfortantes;
23 - Em roubadas no deserto ou em regiões desérticas caminhe a noite e de dia mantenha-se na sombra;
24 - Para evitar decisões erradas, não tenha medo de tomar decisões, tiradas ou pousos;
25 - Evitar a busca da térmica perfeita;
26 - Largar a térmica maravilhosa na hora certa e partir para o Cross;
27 - O Ideal e ter várias opções de pousos;
28 - Pensar no futuro, nas próximas decisões;
29 - Se estiver com muita indecisão, pode abrir o cinto e pousar ou acreditar na condição e partir para o Cross;
30 - Tenha confiança na próxima térmica, se o ‘zero a zero’ perdurar, partir para o Cross;
31 - Nas tiradas mais longas usar ¾ do VG;
32 - Beba muita água;
33 - Urine em vôo;
34 - As regulagens para Cross devem ser diferentes das regulagens para campeonatos;
35 - Relaxe em vôo e regule a asa para ficar macia. Melhor maciez do que performance;
36 - Devem-se avaliar os itens proporcionalmente: razão de subida x vento x altura de tirada x desempenho das últimas térmicas;
37 - Quando você está alto, voe McCready (mais rápido e parando somente nas fortes);
38 - Quando você está baixo, voe em "Speeds to Fly", ou seja, está subindo reduza velocidade para se manter na massa o maior tempo possível. Se está afundando, acelere para sair da massa descendente rapidamente.
Complemento: O Fabinho Nunes diz que, se você está muito baixo e tem pouso, deve colocar contra o vento, pois aumentam as chances de você "bater" em uma termal. Sobre os dados que o Mike Barber usa na configuração de sua curva "Polar" em seus instrumentos, ele não abriu o jogo, mas para quem quiser ver os parâmetros que o Erik e o Cedrik utilizam em suas WillsWing T2, clique aqui.

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