Aprendendo a voar...


1998 - eu aprendendo a voar no Morrote, Brasília/DF

Pois bem, muitos agora podem estar se perguntando: lugar para decolar em Brasília todos já sabem que existe (ver postagem anterior), mas como é que se faz para aprender a voar por lá, já que não existem montanhas ou morros. Será que utilizam técnicas do vôo a reboque? Longe disso, na natureza nada se perde, tudo se transforma, se cria, principalmente se por perto existir um ser humano obstinado e que não se cansa de perseguir um sonho. Com o vôo livre de asa delta em Brasília não foi diferente, Ricardo Ortega, um apaixonado pelo esporte, ícone dos primórdios do vôo livre nacional, batalhou para que a cidade tivesse um local para instrução de novos pilotos, foi daí que surgiu o "Morrote". Em uma área verde meio que abandonada, na região mais nobre da Capital, nada existia além de mato. Ortega percebeu o potencial do local e com persistência conseguiu transformar o lugar na base de perpetuação do esporte em Brasília. Conseguiu apoio e saiu em busca das autorizações burocráticas necessárias, e lentamente, carrada após carrada. entulhos foram sendo ali depositados, até dar lugar a um morrinho artificial, despretensioso, mas que hoje goza de estatus de parque, onde é possível tornar realidade o sonho de voar. Comigo foi assim, quando ainda nem grama existia naquele Morrote, durante meses comi poeira, subia o morro carregando a asa nas costas para decolar, pousar e decolar novamente, isso nos idos de 1998, dez anos atrás. Atualmente toda a área é protegida. Por sobre os entulhos e a poeira agora existe um belo gramado. O anfiteatro merecidamente deu lugar à sede da Associação de Vôo Livre do Distrito Federal (AVLDF). Que assim continue sendo por muitos e muitos anos e que o grande mestre dos ares e querido amigo Ortega por lá esteja sempre, com novos e velhos alunos reunidos, mesmo nos dias de vento virado, nem que seja para apenas falar sobre a maravilhosa arte de voar.